
O papel da Terapia Ocupacional nos transtornos do neurodesenvolvimento é fundamental, principalmente nas dificuldades motoras, sensoriais, no brincar e nas atividades de vida diária ( tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo), já que os terapeutas ocupacionais podem contribuir muito para otimizar as atividades realizadas diariamente pelos indivíduos e melhorar, assim, suas qualidades de vida.
Mas o que faz um TO?
A terapia ocupacional é definida como o uso terapêutico de atividades diárias (ocupações) em
indivíduos ou grupos com o propósito de melhorar ou possibilitar a participação em papéis, hábitos e rotinas em diversos ambientes como casa, escola, local de trabalho, comunidade e outros lugares. Profissionais da terapia ocupacional usam seu conhecimento sobre a relação transacional entre a pessoa, seu envolvimento em ocupações importantes, e o contexto em que se insere para delinear planos de intervenção.
Portanto, a terapia ocupacional atua em diferentes áreas, sempre com o objetivo do indivíduo alcançar independência e autonomia. Sendo elas:
- Desenvolvimento de habilidades motoras: Por exemplo, a terapia ocupacional pode ajudar a melhorar as habilidades motoras finas e grossas do indivíduo. Isso inclui habilidades como coordenação motora, habilidades de escrita, manipulação de objetos e habilidades de autocuidado, como alimentação e vestimenta.
- Autonomia e vida diária: A terapia ocupacional pode trabalhar na promoção da independência nas atividades diárias, como vestir-se, alimentar-se, tomar banho e cuidar da higiene pessoal. Isso envolve o desenvolvimento de habilidades adaptativas necessárias para enfrentar os desafios diários.
- Integração sensorial: Sendo assim, muitas pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento têm dificuldades na integração sensorial, o que significa que têm dificuldade em processar e responder adequadamente às informações sensoriais do ambiente. A terapia ocupacional pode ajudar a melhorar a regulação sensorial e fornecer estratégias para lidar com sensibilidades sensoriais e evitar sobrecargas.
- Habilidades sociais e de interação: Sendo assim, a terapia ocupacional pode ajudar a desenvolver habilidades sociais e de interação social. Isso pode incluir o ensino de habilidades de comunicação, compreensão de pistas sociais, interação com os outros e desenvolvimento de amizades.
- Estimulação cognitiva: Portanto, a terapia ocupacional pode envolver atividades que estimulam o desenvolvimento cognitivo, como jogos, quebra-cabeças e tarefas de resolução de problemas. Isso pode ajudar a melhorar a atenção, o raciocínio, a memória e outras habilidades cognitivas.
O que é integração sensorial ?
Integração Sensorial (IS) é a organização das sensações para uso no dia-dia. O nosso cérebro nos dá constantemente informações sobre as condições do nosso corpo e sobre o ambiente à nossa volta. Quando essas informações estão bem organizadas, somos capazes de usá-las para nossa percepção, comportamento e aprendizado. Quando as informações estão desorganizadas, temos dificuldade de sentir e organizar nossas sensações. A Dra. Jean Ayres descreve a Integração sensorial como “o processo neurológico que organiza as sensações do próprio corpo e do ambiente fazendo com que seja possível o uso do corpo efetivamente no ambiente” (Ayres, 1989).
Esta teoria procura analisar como os sistemas sensoriais influenciam no desenvolvimento humano e no desempenho ocupacional. Aplicando os princípios da Integração Sensorial na prática terapêutica ocupacional, o profissional devidamente qualificado deve basear-se em avaliações completas para fornecer intervenção direcionada às crianças de acordo com os princípios de engajamento, brincar, segurança, oportunidades sensoriais, respostas adaptativas e aliança terapêutica.
Os terapeutas que trabalham com crianças com transtornos do neurodesenvolvimento sabem que a presença de dificuldades sensoriais é um fator importante no comportamento de muitas dessas crianças. Então o foco da terapia com abordagem de integração sensorial no TEA é melhorar o processamento sensorial com objetivo de:
- Aumentar a participação nas atividades diárias e, consequentemente, a participação social;
- Ampliar o repertório de brincadeiras e diminuição de comportamentos repetitivos e /ou estereotipados.
- Diminuir o desconforto da pessoa em situações em que o processamento sensorial atípico cause uma desregulação.
A terapia de integração sensorial bem aplicada, por um profissional com treinamento específico nessa área, pode ser combinada com outras abordagens e contribuir muito para um desenvolvimento mais amplo.



